Flávio Bolsonaro foi o único deputado estadual a declarar voto contrário, em 2009, a um projeto que permitia suspender a posse ou restringir o porte de arma de integrantes das forças de segurança do Rio de Janeiro que tivessem praticado violência doméstica e familiar contra mulheres. A proposta acabou aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada.
O texto, apresentado pela então deputada Inês Pandeló (PT), tinha como referência a Lei Maria da Penha. A medida buscava reduzir o risco de que uma arma de fogo permanecesse ao alcance de um agente de segurança envolvido em um episódio de violência doméstica, enquanto o caso fosse tratado pelas autoridades competentes.
Flávio também havia se posicionado contra a proposta na Comissão de Segurança Pública. Ao justificar seu voto em plenário, argumentou que policiais poderiam sofrer restrições por causa de conflitos familiares antes da conclusão de um processo, e invocou preocupações com o tratamento dado a esses servidores e com suas garantias constitucionais.
O registro do voto ganhou relevância na campanha presidencial de 2026 porque Flávio agora apresenta o combate à violência contra mulheres como uma de suas prioridades. A campanha defende penas mais duras para agressores, cumprimento das condenações e monitoramento eletrônico de pessoas sujeitas a medidas protetivas.
Procurada pela Folha de S.Paulo, a assessoria do candidato afirmou que a posição adotada na Alerj buscava preservar o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência. Segundo a campanha, defender essas garantias não significa tolerar violência. O voto de 2009, contudo, permanece como um dado concreto a ser confrontado com as propostas anunciadas agora aos eleitores.


