Em live, candidato derrotado afirmou que decidiu deixar o país com a família por receio de ser preso ou impedido de falar. Polícia Federal investiga as circunstâncias da saída.
Flávio Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo nesta sexta-feira (30) para tentar justificar sua saída do Brasil após a derrota para Lula. O senador relatou que tomou a decisão com a esposa, Fernanda, depois de ser informado de uma ordem judicial para entregar seus passaportes e não deixar o país.
“Isso não é nenhum sinal de fraqueza não, gente. Eu posso ser tudo menos burro”, afirmou. Em outro momento, resumiu a escolha como um recuo estratégico: “Dei um passo atrás para dar dois para frente”.
Segundo Flávio, a Polícia Federal o intimou na segunda-feira (26), após uma visita ao pai, Jair Bolsonaro. Ele disse que temeu ser preso ou impedido de manter contato com a família e de se manifestar publicamente. Afirmou também que não contou o plano a outras pessoas porque, “se soubesse, a chance de dar errado seria maior”.
A explicação veio depois que Flávio deixou o Brasil apesar da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a apreensão de seus passaportes e proibiu sua saída do país. A Polícia Federal investiga as circunstâncias da viagem.
Na live, o senador alegou perseguição política e voltou a questionar o resultado da eleição. Falou em situações “matematicamente impossíveis”, mas não apresentou provas de fraude. Também afirmou que pretende continuar atuando politicamente do exterior e sugeriu que poderá disputar novamente a Presidência antes de 2030.
Ao tentar afastar a imagem de medo, Flávio acabou colocando o receio de medidas da Justiça no centro de sua própria justificativa para deixar o país. A transmissão não esclareceu por que ele optou por sair após ser informado de uma ordem que o proibia de viajar.


