Surtos recorrentes de ranavirose reduziram em 83% a reprodução de uma população de pererecas-macaco em uma lagoa de Santa Catarina. A descoberta fornece uma das evidências mais fortes de que o ranavírus pode provocar o colapso de anfíbios silvestres na América do Sul.
A espécie estudada, a Phyllomedusa distincta, é endêmica da Mata Atlântica. Os pesquisadores acompanharam a população ao longo do tempo e relacionaram a queda reprodutiva à ocorrência da doença, que também pode afetar répteis e peixes.
Os surtos ficaram mais graves em períodos secos. A redução da umidade concentra animais nos poucos pontos com água, facilita a transmissão e aumenta o estresse fisiológico. Mudanças climáticas e alterações do habitat podem intensificar esse processo.
Anfíbios têm papel importante no equilíbrio dos ecossistemas. Eles controlam insetos, servem de alimento para outros animais e respondem rapidamente a mudanças ambientais, funcionando como indicadores da qualidade de florestas e áreas úmidas.
A ranavirose já foi associada a declínios populacionais na Europa. O resultado brasileiro mostra que programas de conservação precisam incluir vigilância de doenças, proteção de áreas reprodutivas e monitoramento climático, além do combate ao desmatamento.


