Empresários, banqueiros e executivos de setores importantes da economia passaram a abrir espaço para Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial, mesmo diante dos alertas sobre os riscos institucionais de um novo governo ligado ao bolsonarismo.
De acordo com reportagem da revista Piauí, assinada por João Moreira Salles, o candidato participou de encontros e jantares com nomes ligados ao varejo, mercado financeiro, mineração, publicidade, indústria, energia e infraestrutura. A presença nessas reuniões não representa necessariamente uma declaração de voto, mas contribui para dar legitimidade política à candidatura.
Entre os casos mencionados está o do banqueiro Marcelo Kayath, que apoiou Lula em 2022 e promoveu encontros com Flávio na campanha atual. Preocupado com o endividamento do país, das empresas e das famílias, Kayath passou a enxergar o senador como a principal alternativa eleitoral ao presidente.
A aproximação ocorre apesar do histórico do governo Jair Bolsonaro, marcado por ameaças às instituições, defesa da ditadura por integrantes do grupo político e confrontos com o Supremo Tribunal Federal. Também pesam as críticas à condução da pandemia, à política ambiental e ao tratamento dado à ciência e à cultura.
A reportagem questiona por que empresários rigorosos ao analisar indicadores econômicos não demonstram a mesma cautela diante do risco político. A preferência por uma agenda de privatizações, redução de impostos e cortes de despesas estaria se sobrepondo às preocupações com a estabilidade democrática.
Flávio Bolsonaro afirma defender a democracia e diz que pretende dar continuidade ao legado político do pai. Os empresários mencionados não são acusados de ilegalidade; a discussão levantada pela reportagem trata do significado político da aproximação.
Foto: Agência Senado


