Diretor da PF diz que relatórios sobre Mendonça foram solicitados por Moraes

Data:

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que os relatórios de inteligência sobre o ministro André Mendonça foram produzidos em atendimento a uma determinação de Alexandre de Moraes. Na manifestação apresentada nesta sexta-feira (11), o delegado negou a realização de monitoramento ilegal e defendeu a atuação da corporação.

A resposta foi encaminhada após um pedido de esclarecimentos do presidente do STF, Edson Fachin. Segundo Andrei, a requisição dos documentos ocorreu no âmbito do inquérito das fake news, cuja relatoria estava com Moraes até esta semana.

Os relatórios foram utilizados por Moraes para solicitar a abertura de um procedimento contra Mendonça por suposto abuso de autoridade e interferência indevida em investigações. Mendonça é o relator do caso Banco Master, que reúne apurações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e suas relações com autoridades.

Andrei argumentou que a atividade de inteligência tem finalidade informativa e deve ser diferenciada de uma investigação criminal. Em sua avaliação, as análises não constituem acusações, não têm valor de prova e não podem, por si, restringir direitos. Também sustentou que a elaboração de hipóteses e avaliações não caracteriza uma irregularidade.

O diretor-geral respondeu ainda às críticas sobre a ausência de identificação individual dos responsáveis pelos relatórios. Afirmou que os documentos têm autoria institucional e que a preservação dos nomes busca proteger os profissionais que trabalham na área de inteligência.

O episódio levou a decisões conflitantes no Supremo. Mendonça determinou o afastamento de Andrei do comando da PF em 8 de setembro. No dia seguinte, Flávio Dino ordenou seu retorno. Fachin passou a atuar na controvérsia e assumiu a relatoria do inquérito das fake news, antes conduzido por Moraes.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, também se manifestou nesta sexta-feira. Para ele, afastar judicialmente o diretor da PF sem justa causa e sem um procedimento prévio de apuração interfere nas atribuições constitucionais do presidente da República sobre a administração federal.

A defesa de Andrei integra o conjunto de informações levado ao STF para avaliar a origem e o uso dos documentos. Mendonça, por sua vez, sustentou em despacho a manutenção do afastamento e contestou os argumentos da AGU, citando decisões anteriores em que o tribunal reviu atos da Presidência.

Imagem ilustrativa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Newsletter

spot_imgspot_img

Mais Lidos

Leia Mais

Temporais deixam 127 mil imóveis sem energia e provocam alagamentos em São Paulo

Rajadas de vento interrompem fornecimento na área da Enel; chuvas também atingem casas em Sumaré e causam danos em Presidente Epitácio.

São Paulo chega a 29 casos de sarampo; bebê está entre os novos registros

Capital confirma doença em bebê de seis meses e homem de 28 anos; total estadual chega a 32, com registros também em São Bernardo e Guarulhos.

Conta de luz mais barata leva inflação à maior queda desde 2022

Desconto de Itaipu reduz preço da energia e leva IPCA a -0,32% em agosto. Inflação acumulada em 12 meses fica em 4,22%.

TSE rejeita registro de Pablo Marçal na disputa pela Presidência

Decisão unânime mantém impedimento à candidatura pelo PRTB; influenciador segue inelegível por conduta na eleição municipal de 2024.