O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, marcou para esta terça-feira (13) uma reunião com representantes das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O encontro deverá discutir regras para o uso de meios de comunicação durante o segundo turno das eleições.
A reunião foi convocada após uma sequência de decisões divergentes sobre o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones, da Rede. O episódio provocou críticas à atuação de Kássio Nunes Marques, que determinou a suspensão do canal após receber um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, embora o corregedor do TSE já tivesse solicitado informações adicionais antes de decidir.
Na quarta-feira (7), a campanha de Flávio pediu a suspensão do canal sob a alegação de que ele divulgava conteúdo falso contra o candidato do PL. No sábado (10), o corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva solicitou complementação das informações e concedeu prazo de 72 horas para que os requerentes apresentassem o material pedido.
Cerca de 40 minutos depois da decisão de Cueva, a campanha de Flávio apresentou um novo pedido, desta vez direcionado ao presidente do TSE. No domingo (11), Kássio Nunes Marques atendeu à solicitação e determinou a suspensão do “Exército do Lula”. A medida foi criticada dentro e fora do Tribunal por ter sido tomada de forma individual em um caso que já estava sob análise da Corregedoria.
Ainda no domingo, Cueva suspendeu os efeitos da decisão de Kássio Nunes Marques e restabeleceu o canal. O corregedor reforçou que conteúdos comprovadamente falsos não podem ser divulgados e encaminhou a controvérsia para julgamento no plenário do TSE, ainda sem data definida.
O canal passou a crescer rapidamente após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Em poucos dias, saltou de aproximadamente 55 mil para mais de 3 milhões de seguidores.
Agora, depois de uma decisão interpretada como censura ao canal ligado à campanha de Lula e de favorecimento ao pedido de Flávio Bolsonaro, Kássio Nunes Marques reúne as duas candidaturas para tentar uniformizar as regras. A expectativa é que o encontro reduza a insegurança provocada por decisões conflitantes e estabeleça critérios iguais para os dois lados durante a reta final da eleição.


