Senador eleito por Santa Catarina, o ex-vereador ganha espaço na disputa pelo futuro político do bolsonarismo.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após a derrota presidencial e a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos abriram uma disputa pelo protagonismo da família. Uma ala do PL aposta em Carlos Bolsonaro para ocupar esse espaço e conduzir a tentativa de retorno do clã ao poder, segundo fontes ligadas ao partido ouvidas pelo Painel de Informações.
Carlos chega a essa disputa com uma trajetória própria. Eleito vereador do Rio de Janeiro pela primeira vez em 2000, exerceu mandatos na Câmara Municipal a partir de 2001 e deixou o cargo em 2025 para disputar o Senado por Santa Catarina. Venceu a eleição de outubro de 2026 e assumirá a cadeira em fevereiro de 2027. Até novembro de 2025, havia participado da aprovação de 83 normas municipais, entre leis, emendas à Lei Orgânica, decretos legislativos e resoluções.
Sua proximidade com o pai ganhou uma imagem marcante na posse presidencial de 2019: Carlos acompanhou Jair Bolsonaro no carro que percorreu a Esplanada dos Ministérios. Desde então, manteve presença constante na comunicação política da família. O estilo combativo lhe rendeu críticas e rótulos como “louco” e “incompreendido”, mas também consolidou uma base de apoiadores que vê nele um defensor intransigente do pai.
A liderança, porém, não virá automaticamente com a eleição para o Senado. Jair Renan Bolsonaro também atua na política e pode reivindicar espaço entre os herdeiros do sobrenome. Laura Bolsonaro, que completou 16 anos em outubro, ainda é menor de idade e não disputa essa posição agora, embora integrantes do PL já discutam sua possível entrada na política em 2028.
Segundo as fontes ligadas ao partido, o grupo que aposta em Carlos acredita que o mandato no Senado lhe dará uma tribuna nacional justamente quando Flávio e Eduardo estão fora do país. Trata-se, por enquanto, de uma articulação interna: não há anúncio do PL nem definição pública de quem falará em nome da família. A eleição em Santa Catarina colocou Carlos em posição para disputar essa liderança; o próximo passo dependerá de sua capacidade de reunir aliados para além da própria base.


