Eduardo Bolsonaro mira o Pix e sugere trocar sistema brasileiro por versão mais limitada dos EUA

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Em meio à pressão comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil, Eduardo Bolsonaro sugeriu colocar o Pix na mesa de negociação com os americanos e chegou a citar a possibilidade de substituição pelo Zelle, sistema de transferências usado nos EUA. A fala foi dada em entrevista e ganhou repercussão por atingir justamente um dos instrumentos financeiros de maior adesão no País.

A declaração aparece no momento em que o Escritório do Representante Comercial dos EUA concluiu, sob a Seção 301, que práticas brasileiras ligadas ao comércio digital e aos serviços de pagamento eletrônico seriam “irracionais” ou restritivas ao comércio americano. O documento lista o tema ao lado de tarifas preferenciais, aplicação anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O ponto mais sensível da fala de Eduardo é político e simbólico: em vez de defender um sistema brasileiro que se consolidou como referência em transferências instantâneas, o deputado cassado acenou com a troca por uma plataforma americana de alcance mais restrito. O Zelle funciona por meio de instituições financeiras participantes e exige conta corrente ou poupança elegível nos Estados Unidos; segundo a própria plataforma, ele está disponível em mais de 2.400 aplicativos bancários e as transferências para usuários já cadastrados ocorrem, em geral, em minutos.

Na prática, a comparação expõe mais diferenças do que semelhanças. O Zelle é um sistema integrado ao setor bancário americano, mas não tem a mesma lógica universal de infraestrutura pública que tornou o Pix um instrumento de uso massivo no Brasil. Ao defender essa troca em meio a uma disputa comercial, Eduardo alimenta a percepção de subordinação a uma agenda externa num tema em que o Brasil construiu protagonismo próprio.

A fala também reforça o caráter protecionista que analistas vêm apontando nas medidas dos EUA. Embora Washington apresente a ofensiva como reação a práticas comerciais brasileiras, a investigação mira justamente áreas em que o avanço de soluções locais reduziu espaço de empresas americanas no ecossistema de pagamentos e serviços digitais.

No fim, a declaração de Eduardo Bolsonaro não apenas ataca um sistema amplamente incorporado ao cotidiano dos brasileiros, como também transforma uma disputa comercial em argumento contra uma ferramenta nacional de sucesso. Em vez de defender o Pix diante da pressão externa, o deputado preferiu tratá-lo como moeda de troca.

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