Deputados e senadores que tentarão renovar o mandato em outubro chegam à disputa com uma vantagem financeira e institucional sem precedentes. Quase 90% dos 513 integrantes da Câmara pretendem concorrer novamente, enquanto 35 dos 54 senadores em fim de mandato, o equivalente a 64,8%, buscarão permanecer no cargo.
O principal combustível dessa campanha permanente está nas emendas parlamentares. A previsão é que apenas as emendas individuais obrigatórias superem R$ 26 bilhões neste ano. Somadas às verbas de bancadas e comissões, o volume sob influência do Congresso deve alcançar R$ 61 bilhões, o maior valor da série histórica.
Os recursos permitem que parlamentares direcionem obras e serviços às bases eleitorais durante todo o mandato. Embora as transferências possam atender demandas locais, a concentração de dinheiro nas mãos de quem já ocupa uma cadeira dificulta a entrada de novos nomes e amplia a desigualdade da disputa.
Outro fator é o fundo eleitoral de R$ 5 bilhões, distribuído de acordo com o tamanho das bancadas na Câmara. Como os partidos tendem a priorizar candidaturas consideradas competitivas, deputados em exercício normalmente recebem mais estrutura. A cláusula de desempenho também pressiona as siglas a eleger ao menos 13 parlamentares ou obter 2,5% dos votos válidos em nove unidades da federação.
A taxa de reeleição na Câmara chegou a 65% no último pleito e pode crescer em 2026. Com baixa renovação, a tendência é de manutenção de um Legislativo liberal na economia, conservador nos costumes e com forte presença das bancadas ruralista, evangélica e da segurança pública.
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