O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou nesta sexta-feira (11) que o ministro André Mendonça amplie a retirada de sigilo dos procedimentos relacionados ao Banco Master e encaminhe todas as peças aos demais integrantes da Corte em 24 horas. A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou incompleta a documentação liberada até então.
A nova ordem veio depois da divulgação de parte dos autos na noite de quinta-feira (10). Para a PGR, a abertura inicial deixou de fora uma parcela expressiva dos procedimentos vinculados à Operação Compliance Zero, investigação sobre suspeitas de fraudes envolvendo o banco de Daniel Vorcaro.
A manifestação foi assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho. O órgão solicitou que a medida alcançasse também os processos relacionados à apuração principal que ainda permaneciam reservados.
O alcance da publicidade dos documentos provocou uma troca de ofícios entre ministros. Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin cobraram a disponibilização de mais arquivos, incluindo informações extraídas do telefone de Vorcaro. Mendonça sustentou que a proteção de dados pessoais e de investigações em andamento impede a divulgação pública irrestrita do material.
Em resposta a Zanin, o relator informou que o aparelho apreendido com o banqueiro em novembro de 2025 não está sob sua guarda. Disse, porém, que recebeu da Polícia Federal, em março, um envelope com dados extraídos do celular. Segundo o ministro, esse material permanece fechado e não foi examinado pelo gabinete.
Fachin também insistiu no compartilhamento dos dados brutos do telefone com os outros magistrados. O acesso interno dos integrantes do tribunal e a exposição pública de informações pessoais são pontos distintos do debate sobre o tratamento dos arquivos.
A controvérsia ocorre antes da sessão marcada para 15 de setembro, na qual o plenário deverá discutir se abre investigação sobre as relações entre Moraes e Vorcaro. A análise prevista trata do encaminhamento das suspeitas ao processo investigativo e não representa um julgamento definitivo de responsabilidade criminal.
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