O governo federal congelou R$ 300 milhões que o Exército pretendia usar para encomendar foguetes, mísseis e modernizações do Sistema Astros. O recurso estava previsto no Orçamento e dependia de liberação pela Casa Civil e pelo Ministério da Defesa.
Parte do dinheiro seria destinada à retomada de encomendas da Avibras, fabricante de equipamentos militares instalada em Jacareí. A empresa havia reiniciado a produção depois de quatro anos de crise, e o presidente Lula visitou a fábrica em julho para defender o fortalecimento da indústria nacional de defesa.
O pacote inclui foguetes SS, a conclusão do Míssil Tático de Cruzeiro MTC-300, o desenvolvimento do Míssil Tático Balístico e a modernização de cabines dos veículos Tatra usados pelo sistema. O MTC-300 foi projetado para atingir alvos a até 500 quilômetros e é considerado estratégico para impedir ou dificultar o acesso de forças hostis a áreas sensíveis.
Os R$ 300 milhões seriam a primeira de cinco parcelas anuais, totalizando R$ 1,5 bilhão. A retenção também alcança verbas destinadas a outras empresas do setor, entre elas a Siatt, responsável pelo míssil antinavio Mansup.
O bloqueio expõe a distância entre o discurso de ampliação da capacidade de defesa e a execução orçamentária. A decisão sobre a liberação ainda pode ser revista neste ano, mas a demora afeta o planejamento industrial, a preservação de empregos especializados e o cronograma de modernização das Forças Armadas.
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