O governo Lula empenhou R$ 520 milhões para ações de propaganda e comunicação no primeiro semestre de 2026, às vésperas do período de restrições imposto pelo calendário eleitoral. O valor é mais que o dobro do gasto registrado no mesmo intervalo de 2022, quando a gestão Jair Bolsonaro reservou R$ 213,5 milhões para esse tipo de despesa.
A liberação da verba ocorre antes do início do chamado defeso eleitoral, fase em que a legislação restringe campanhas publicitárias institucionais do poder público. Até lá, no entanto, ainda é permitido empenhar recursos para ações consideradas de utilidade pública e campanhas autorizadas dentro dos limites legais.
Segundo o levantamento, a principal frente de divulgação do governo foi a campanha “conectando entregas e futuro”, que concentrou a maior fatia dos recursos. Também houve destinação de verba para outras ações de comunicação institucional, incluindo campanhas ligadas a programas e medidas adotadas pelo Palácio do Planalto.
O aumento ocorre em um momento em que o governo tenta reforçar sua presença na comunicação pública e melhorar a percepção de suas entregas em meio ao ambiente pré-eleitoral. A estratégia inclui expansão da presença digital e maior peso para plataformas on-line na distribuição da publicidade oficial.
A gestão federal afirma que os gastos seguem os limites previstos em lei e sustenta que comparações entre governos devem levar em conta diferenças de contexto, prioridades e planejamento de cada período. Ainda assim, o volume empenhado recoloca no centro do debate o uso da máquina de comunicação institucional em ano eleitoral.
Na prática, o movimento reforça a aposta do governo em ampliar visibilidade antes da entrada plena das restrições legais, em uma fase em que comunicação, imagem e disputa narrativa passam a ter peso ainda maior no jogo político.


