A promessa de Flávio Bolsonaro (PL) de promover um ajuste de até R$ 200 bilhões nas contas públicas pode atingir aposentadorias, benefícios assistenciais e políticas sociais caso ele seja eleito presidente. A equipe do candidato afirma que pretende alcançar a economia por meio do combate ao desperdício, mas ainda não apresentou uma lista detalhada das despesas que seriam cortadas.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, alerta que o volume prometido não pode ser obtido apenas com medidas administrativas ou com o uso de inteligência artificial. Segundo os cálculos apresentados pelo governo, despesas discricionárias representam uma parcela pequena do Orçamento, enquanto a maior parte dos gastos está vinculada a obrigações legais e programas públicos.
Para alcançar R$ 200 bilhões, seria necessário mexer em áreas como aposentadorias, Benefício de Prestação Continuada (BPC), reajuste do salário mínimo, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, universidades federais, bolsas científicas e investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento.
APOSENTADORIAS E BPC ENTRAM NO RADAR
Uma das possibilidades discutidas por integrantes próximos à candidatura é desvincular benefícios previdenciários e assistenciais da política de valorização do salário mínimo. Na prática, aposentadorias e o BPC poderiam receber reajustes diferentes do aumento concedido ao piso nacional.
Essa mudança atingiria principalmente idosos, pessoas com deficiência e famílias de baixa renda. Atualmente, milhões de benefícios são pagos no valor de um salário mínimo e acompanham sua valorização real.
Moretti estima que até a retirada de todos os programas discricionários citados produziria uma economia insuficiente. Ainda faltariam aproximadamente R$ 90 bilhões para chegar ao valor anunciado pela campanha de Flávio.
SALÁRIO MÍNIMO TAMBÉM PODE SER AFETADO
Outro caminho seria encerrar a atual política que garante aumento do salário mínimo acima da inflação. O governo calcula que essa medida reduziria o piso projetado para 2027 de cerca de R$ 1.741 para aproximadamente R$ 1.699.
A diferença não ficaria restrita aos trabalhadores que recebem o mínimo. O valor influencia aposentadorias, pensões, BPC, seguro-desemprego e outros pagamentos vinculados ao piso nacional.
A campanha de Flávio nega que pretenda reduzir benefícios e afirma que os ganhos reais seriam mantidos. Ao mesmo tempo, não explicou como produziria o corte de R$ 200 bilhões sem atingir despesas obrigatórias.
PROMESSA AINDA NÃO TEM DETALHAMENTO
O ajuste proposto equivale a aproximadamente 1,5% do Produto Interno Bruto. Uma mudança dessa dimensão precisaria passar pelo Congresso e teria impacto direto sobre o financiamento de serviços e políticas públicas.
Sem a apresentação de números, prazos e programas que seriam preservados, permanece aberta a principal dúvida da proposta: de onde sairão os R$ 200 bilhões prometidos e quem arcará com o custo da redução de despesas.


