Vitória de Flávio pode ampliar pressão por tarifas contra veículos chineses no Brasil

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Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial poderá aumentar a pressão para que o Brasil adote barreiras adicionais contra automóveis fabricados na China. A possibilidade decorre da aproximação política do candidato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da estratégia adotada por Washington para proteger sua indústria automobilística da concorrência chinesa.

Até o momento, porém, não existe anúncio público de que Trump tenha solicitado diretamente a Flávio a criação de uma tarifa específica contra os veículos chineses. Também não há compromisso registrado no programa do candidato. Portanto, qualquer afirmação de que a tributação será implantada automaticamente deve ser tratada como projeção, e não como fato consumado.

O risco de mudança existe porque a política econômica de Trump tem como uma de suas marcas o uso de tarifas para proteger setores considerados estratégicos. Em abril de 2025, o governo norte-americano colocou em vigor uma tarifa adicional de 25% sobre automóveis importados, justificando que a dependência externa ameaçava a segurança econômica e industrial dos Estados Unidos.

A medida não ficou restrita aos carros chineses, mas integrou uma política mais ampla de fortalecimento da produção realizada em território norte-americano. O governo também criou mecanismos para beneficiar fabricantes que montam veículos nos Estados Unidos e reduzir os efeitos das tarifas sobre componentes utilizados pelas fábricas locais.

No caso específico da China, a barreira contra os veículos elétricos já havia sido elevada de 25% para 100% pelo governo de Joe Biden. Trump manteve o confronto comercial e ampliou a pressão sobre automóveis, autopeças, baterias, aço, alumínio e outros produtos ligados à cadeia industrial. O argumento utilizado por Washington é que os subsídios concedidos por Pequim permitem que as empresas chinesas ofereçam produtos por preços artificialmente baixos.

Os Estados Unidos também demonstraram preocupação com a possibilidade de montadoras chinesas instalarem fábricas em países como o México para contornar as restrições comerciais. Autoridades norte-americanas passaram a discutir medidas capazes de atingir veículos produzidos fora da China, mas pertencentes a grupos chineses ou abastecidos por cadeias de componentes controladas pelo país asiático.

Esse precedente interessa diretamente ao Brasil. Empresas como BYD e GWM ampliaram sua presença no mercado nacional e anunciaram investimentos em produção local. Uma política inspirada no modelo norte-americano poderia diferenciar os veículos importados daqueles fabricados em território brasileiro, protegendo as montadoras instaladas no País sem necessariamente impedir a operação das marcas chinesas.

O Brasil já retomou gradualmente a cobrança do imposto de importação sobre automóveis elétricos, híbridos e híbridos plug-in. Em 2026, as alíquotas chegaram ao patamar de 35%, embora o governo tenha mantido cotas temporárias para determinadas importações. Isso significa que os veículos eletrificados estrangeiros já são tributados, independentemente de uma eventual mudança de governo.

Uma administração de Flávio poderia endurecer essas regras, reduzir cotas, exigir maior conteúdo nacional ou criar novas barreiras comerciais. Essas decisões, entretanto, não dependem exclusivamente do presidente. A política tarifária brasileira passa pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior e precisa observar as regras do Mercosul e os compromissos internacionais assumidos pelo País.

Durante a campanha, Flávio criticou a aproximação política do governo Lula com Pequim e defendeu uma zona de livre comércio envolvendo países das Américas. Ao mesmo tempo, afirmou que pretende manter uma relação economicamente pragmática com a China. As duas posições revelam o principal dilema de um eventual governo: aproximar-se de Trump sem comprometer o relacionamento com o maior parceiro comercial do Brasil.

A China ocupa uma posição muito mais relevante para a economia brasileira do que para a norte-americana. Além de liderar a compra de produtos como soja, minério de ferro e petróleo, o país ampliou investimentos nos setores automotivo, energético e de infraestrutura. Uma restrição criada apenas para atender aos interesses de Washington poderia provocar reação de Pequim e atingir exportadores brasileiros.

Para os consumidores, novas tarifas poderiam elevar o preço dos modelos importados e reduzir a concorrência no mercado de veículos elétricos. Para a indústria instalada no Brasil, a medida poderia estimular a produção local, desde que viesse acompanhada de investimentos, transferência de tecnologia e geração de empregos.

O histórico de Trump mostra que a adoção de barreiras comerciais contra a indústria automobilística é uma possibilidade concreta. O alinhamento político de Flávio com o presidente norte-americano reforça essa expectativa. Ainda assim, não há elementos públicos suficientes para afirmar que os carros chineses serão necessariamente taxados a pedido dos Estados Unidos caso o candidato do PL vença a eleição.

Imagem de capa gerada digitalmente para fins editoriais.

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