Perfis de falsos médicos e supostos especialistas criados por inteligência artificial acumulam mais de 70 milhões de visualizações ao divulgar curas sem comprovação científica. As contas usam rostos ultrarrealistas, currículos inventados e histórias pessoais detalhadas para ganhar confiança e vender livros digitais, suplementos e outros produtos.
Um levantamento identificou pelo menos 29 canais desse tipo no YouTube. Muitos foram criados em 2026 e, apenas em junho, somaram cerca de 10 milhões de acessos. Em outras redes, pesquisadores localizaram dezenas de personagens que exploram estereótipos de avós chinesas, indígenas, moradores da zona rural, monges e freiras.
As publicações recomendam bicarbonato nos olhos para catarata, chás para controlar diabetes e hipertensão e ervas como substitutas de medicamentos prescritos. Há relatos de pessoas que interromperam tratamentos ou sofreram complicações depois de seguir as receitas, incluindo um caso de gastrite hemorrágica.
A estratégia costuma apresentar a orientação como uma verdade escondida por médicos ou pela indústria farmacêutica. A linguagem emocional, a aparência de autoridade e a oferta de soluções baratas ampliam o alcance entre idosos, pacientes que aguardam atendimento e pessoas com pouca familiaridade digital.
Especialistas recomendam observar movimentos repetitivos, falta de sincronia entre voz e boca, mãos deformadas, objetos que desaparecem e uma aparência excessivamente perfeita. Plataformas afirmam proibir desinformação médica prejudicial, mas pesquisadores avaliam que rótulos de conteúdo sintético são insuficientes quando os criadores ocultam o uso de IA.
Imagem gerada por IA.


