Guerra nuclear e uso malicioso da inteligência artificial aparecem entre as ameaças capazes de provocar os maiores danos à saúde e à sobrevivência humana até o fim deste século. A conclusão faz parte de uma avaliação internacional publicada pela revista científica The Lancet, que reuniu especialistas de diferentes áreas para analisar riscos que podem se transformar em crises globais.
Ao todo, a comissão identificou 17 ameaças interligadas. A lista inclui problemas conhecidos, como poluição do ar, resistência a antibióticos, pandemias de origem natural, mudanças climáticas, desnutrição infantil, tabagismo, consumo abusivo de álcool, obesidade, hipertensão, transtornos de saúde mental e envelhecimento sem condições adequadas de saúde.
Também foram incluídos fatores sociais e políticos que influenciam diretamente o bem-estar das populações: desigualdade econômica, baixo nível educacional, redução da ajuda internacional e guerras convencionais. No campo dos riscos emergentes, os pesquisadores destacaram conflitos nucleares e o uso deliberadamente nocivo de sistemas de inteligência artificial.
Riscos extremos para a humanidade
Segundo a avaliação, guerra nuclear e uso malicioso da IA são as duas ameaças da lista com potencial de levar a humanidade à extinção. A probabilidade de ocorrência permanece incerta, mas a dimensão do possível dano levou os pesquisadores a incluir os dois cenários no planejamento de saúde global.
No caso da inteligência artificial, os riscos incluem a utilização da tecnologia para desenvolver armas, criar agentes biológicos, atacar infraestruturas essenciais ou ampliar conflitos. Os autores não afirmam que esses cenários necessariamente ocorrerão, mas defendem que governos e empresas estabeleçam mecanismos de controle antes que as capacidades tecnológicas avancem sem proteção equivalente.
A guerra nuclear, por sua vez, produziria efeitos muito além das áreas atingidas diretamente. Contaminação radioativa, colapso dos sistemas de saúde, interrupção da produção de alimentos e alterações climáticas poderiam afetar populações de diferentes continentes.
Ações podem reduzir os impactos
O relatório não apresenta o futuro como inevitável. Os especialistas defendem sistemas de saúde preparados para emergências, investimento em inovação e monitoramento permanente dos riscos. Também ressaltam que medidas contra a desigualdade, o aquecimento global, a desnutrição e as doenças crônicas podem preservar bilhões de anos de vida saudável.
A análise utilizou dados de 204 países e territórios e considera diferentes cenários até 2100. A principal mensagem é que decisões tomadas agora, em áreas como saúde, economia, defesa, clima e tecnologia, determinarão o tamanho das perdas enfrentadas pelas próximas gerações.


