Presença de arma em casa aumenta em até cinco vezes risco de suicídio, aponta estudo

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Pesquisa da USP revisou 467 estudos de diversos países. Armas intensificam fragilidades psicológicas e ampliam dinâmicas de violência doméstica

A presença de armas de fogo em residências aumenta de três a cinco vezes o risco de suicídio, independentemente do estado de saúde mental anterior do indivíduo. A conclusão é de pesquisa publicada na revista Harvard Review of Psychiatry, liderada pelo Instituto de Psiquiatria da USP.

O estudo revisou 467 pesquisas de diversos países divulgadas até março de 2023, sendo 81% realizadas nos Estados Unidos. A análise explorou ligações entre acesso a armas, comportamento agressivo, violência doméstica e impactos na saúde mental.

Foram identificados três mecanismos psicológicos. Primeiro, as armas facilitam atos impulsivos em momentos de crise – o suicídio apareceu em 61% dos estudos. Segundo, funcionam como “amplificador psicológico”, aumentando sensações de medo e ansiedade em vez de aliviá-las. Terceiro, servem como símbolo que exacerba comportamentos controladores, derivando em violência doméstica.

“Em vez de aumentar a sensação de segurança, acaba tendo efeito contrário. Evidencia fragilidades emocionais, aumenta medo e agressividade”, explica o psiquiatra Rodolfo Furlan Damiano, autor correspondente.

O número de armas registradas no Brasil subiu 3,2% entre 2023 e 2024, totalizando 2,154 milhões no Sistema Nacional de Armas, segundo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.

Os pesquisadores sugerem políticas públicas que considerem evidências científicas de saúde mental nas discussões sobre acesso a armas.

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