Um tratamento experimental baseado em vírus modificado geneticamente conseguiu interromper o avanço do câncer de pâncreas em três pacientes acompanhados em um estudo clínico nos Estados Unidos. Os tumores não voltaram a crescer após a aplicação inicial, resultado considerado animador pelos pesquisadores, especialmente porque os pacientes receberam apenas uma dose reduzida do que ainda se pretende testar nas próximas fases.
A pesquisa chama atenção porque o câncer de pâncreas é um dos mais agressivos e letais. Em muitos casos, a doença só é descoberta quando já se espalhou e não pode mais ser removida cirurgicamente. Além disso, esse tipo de tumor costuma ter uma estrutura interna densa e fibrosa, que dificulta a entrada de quimioterápicos, e também consegue escapar com relativa eficiência da ação do sistema imunológico.
O vírus usado no teste foi desenvolvido para se replicar apenas dentro das células tumorais. A ativação ocorre por causa de uma enzima encontrada em níveis muito mais altos no câncer do que em células saudáveis. Depois de infectar o tumor, o vírus faz essas células se romperem, o que pode ajudar tanto a destruir o tecido cancerígeno quanto a expor o tumor ao sistema imune. A aplicação foi feita diretamente no pâncreas com auxílio de um tubo guiado por ultrassom.
Os pesquisadores agora pretendem ampliar o estudo e testar doses maiores para identificar o nível ideal do tratamento. Também está nos planos combinar a terapia viral com imunoterapia, na tentativa de aumentar a resposta do organismo contra o câncer. Apesar do entusiasmo inicial, especialistas lembram que o estudo ainda é pequeno e não tem grupo de controle, o que exige cautela antes de qualquer conclusão mais ampla.


