Governo do Estado prevê repasses para estâncias turísticas e MITs, mas dinheiro só será liberado após análise técnica; Mongaguá é a única cidade da região com destinação já definida
A Baixada Santista pode receber até R$ 20,6 milhões do Governo do Estado para obras de infraestrutura turística. O valor considera R$ 2,5 milhões para cada uma das oito estâncias turísticas da região e mais R$ 600 mil para Cubatão, que tem status de Município de Interesse Turístico (MIT).
Mas aqui tem um detalhe importante, e ele muda bastante a leitura da notícia: o dinheiro não cai automaticamente na conta das prefeituras. Para ter acesso ao repasse, cada cidade precisa apresentar projetos dentro dos prazos estabelecidos pelo Estado. Só depois disso as propostas passam por análise técnica e documental. Se tudo estiver certo, aí sim a verba pode ser liberada.
Dinheiro tem destino turístico, mas não serve para qualquer coisa
Segundo o Governo do Estado, os recursos podem ser pedidos para uma série de intervenções voltadas à estrutura turística das cidades.
Entram nessa lista obras como:
- construção e reforma de equipamentos públicos
- melhorias em rodoviárias, centros culturais e museus
- ações de infraestrutura urbana, como drenagem, pavimentação, iluminação e ciclovias
- implantação ou requalificação de estruturas de lazer
- revitalização de áreas turísticas, incluindo praias
Na prática, é um tipo de repasse que pode ajudar bastante cidades que dependem do turismo, mas que também exige planejamento. Não basta querer a verba. É preciso saber exatamente o que fazer com ela.
Mongaguá já saiu na frente
Entre todas as cidades da Baixada, Mongaguá é a única que já tem destino definido para o recurso.
O convênio, assinado na quinta-feira (16), prevê R$ 2,5 milhões para fortalecer a infraestrutura turística do complexo da Plataforma de Pesca, em Agenor de Campos.
Ou seja: enquanto boa parte da região ainda está desenhando projetos ou escolhendo prioridades, Mongaguá já conseguiu transformar a expectativa em proposta concreta.
E as outras cidades?
Nas demais prefeituras, o cenário ainda é de planejamento.
- Santos informou que ainda vai definir os projetos
- São Vicente avalia os locais e intervenções que podem receber investimento
- Praia Grande disse que ainda vai elaborar os projetos
- Itanhaém afirmou que o valor ficou abaixo da projeção inicial e, por isso, está ajustando projetos e cronogramas
- Bertioga informou que quer direcionar os recursos para obras estratégicas que melhorem destinos e ampliem o fluxo de visitantes
- Cubatão pretende apresentar ao Estado um projeto de manutenção, revitalização e conservação de espaços turísticos
- Guarujá e Peruíbe não responderam
Esse quadro mostra que o anúncio do valor, por si só, ainda está longe de significar obra na rua.
Calendário já está correndo
E aqui entra outro ponto importante: os prazos não são largos.
As prefeituras têm até o dia 24 para manifestar interesse em firmar os convênios. Já a documentação precisa ser enviada até 5 de junho.
Depois dessa etapa, o Governo do Estado fará a análise das propostas.
Então, para os municípios que ainda estão estudando o que fazer, o relógio já começou a andar.
Oportunidade boa, mas que exige pressa e organização
No papel, os R$ 20,6 milhões representam uma oportunidade importante para a Baixada Santista reforçar sua estrutura turística. Em uma região que vive do fluxo de visitantes, melhorar acesso, iluminação, espaços de lazer, equipamentos culturais e áreas de praia pode ter impacto direto na economia local.
Mas a notícia vem com um aviso embutido: o recurso existe, só que precisa ser disputado com projeto, prazo e organização.
No fim das contas, não basta a cidade ser turística. Ela precisa estar pronta para transformar a verba em proposta viável. E, nessa corrida, Mongaguá já deu a primeira largada.


