Moradores de Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá voltaram a enfrentar torneiras secas e baixa pressão neste domingo, 30 de agosto. Segundo a Sabesp, o abastecimento foi comprometido depois que cabos foram furtados da Estação de Tratamento de Água de Cubatão e equipamentos essenciais ao funcionamento da unidade foram danificados.
A companhia informou que comunicou o crime às autoridades e prevê a normalização gradual do serviço ao longo de segunda-feira, 31. A ocorrência explica o agravamento registrado neste domingo, mas não encerra a discussão sobre um problema que já vinha afetando diferentes pontos da Baixada Santista havia dias ou semanas.
Em Guarujá, relatos públicos recentes mostram uma realidade muito anterior ao furto. Uma moradora da Vila Júlia afirmou estar há 40 dias sem fornecimento regular. Em Santa Cruz dos Navegantes, outro consumidor relatou mais de 15 dias sem água. No Perequê e no Jardim Salim, aparecem queixas de cinco dias consecutivos de interrupção. Os períodos são relatos dos próprios moradores, não uma medição oficial da Sabesp, mas a repetição das denúncias em bairros distintos evidencia que o desabastecimento não pode ser atribuído apenas ao episódio deste domingo.
A situação já havia levado a Prefeitura de Guarujá a criar um comitê de crise no início de agosto. Na ocasião, a Sabesp reconheceu dificuldades no abastecimento e anunciou reforço de caminhões-pipa, um canal exclusivo para moradores e a aceleração de obras estruturais. Outra reunião foi marcada para avaliar as providências, enquanto a população continuou relatando interrupções prolongadas e baixa pressão.
Entre as principais promessas está a travessia subaquática entre Santos e Guarujá, projetada para transportar água tratada da estação de Cubatão. A obra, de 5,56 quilômetros e investimento anunciado de R$ 134,7 milhões, deverá acrescentar 500 litros por segundo à capacidade de abastecimento de Guarujá. A própria Sabesp reconheceu atraso no cronograma e atribuiu a demora a dificuldades geológicas encontradas durante os trabalhos.
A companhia também anuncia R$ 8,1 bilhões em investimentos na Baixada Santista entre 2026 e 2029, dos quais R$ 3,6 bilhões seriam destinados a Guarujá. Obras futuras são necessárias, mas não substituem a obrigação de manter o serviço no presente nem respondem, sozinhas, às famílias que passam dias improvisando baldes, comprando água ou dependendo de caminhões-pipa.
O furto de cabos é um crime e deve ser investigado. Ainda assim, uma estação que abastece cidades inteiras é infraestrutura crítica. A ocorrência expõe a necessidade de vigilância, proteção física, redundância operacional e planos de contingência capazes de impedir que uma ação criminosa produza impacto tão amplo. Não é razoável que todo o custo da vulnerabilidade recaia sobre o consumidor.
A crise também exige mais transparência. Informações por bairro, estimativas realistas de retorno, divulgação dos pontos atendidos por caminhões-pipa e dados sobre pressão e volume distribuído permitiriam acompanhar se as medidas anunciadas estão funcionando. Repetir previsões genéricas de normalização, enquanto alguns moradores dizem esperar por semanas, apenas amplia a desconfiança.
A Sabesp orienta o uso consciente da água e mantém atendimento pelo telefone 0800 055 0195, pelo WhatsApp (11) 3388-8000 e pela Agência Virtual. Consumidores afetados devem registrar protocolo, guardar comprovantes de gastos emergenciais e informar endereço e duração da interrupção.


