Morreu neste sábado (10), aos 82 anos, a ex-prefeita de Santos Telma de Souza, uma das figuras mais importantes da história política da Baixada Santista e uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT).
A notícia provocou manifestações de pesar de vereadores, lideranças políticas e moradores da região. Até o momento, a causa da morte não foi informada. Também não foram divulgados os horários e locais do velório e do sepultamento.
Uma trajetória ligada à história de Santos
Nascida em Santos em 29 de setembro de 1944, Telma Sandra Augusto de Souza era pedagoga, professora e advogada. Formou-se em Pedagogia e Direito pela Universidade Católica de Santos, fez pós-graduação em Psicologia da Educação pela PUC-SP e realizou estudos no exterior.
Sua participação política começou no movimento pela anistia e nas lutas dos professores. Integrante da Apeoesp, ajudou a fundar o PT e construiu uma carreira pública profundamente ligada a Santos e à Baixada Santista.
Telma foi eleita vereadora em 1982 e deputada estadual em 1986. Dois anos depois, venceu a eleição municipal e tornou-se a primeira mulher a comandar a Prefeitura de Santos. Governou a cidade entre 1989 e 1992, durante um período de reconstrução administrativa após a recuperação da autonomia política do município.
Governo marcou a saúde pública
A gestão de Telma ficou marcada por mudanças profundas na saúde pública. Em maio de 1989, a Prefeitura decretou intervenção na Casa de Saúde Anchieta, instituição denunciada por maus-tratos e condições degradantes. A medida tornou-se referência nacional no movimento da reforma psiquiátrica e na substituição do modelo manicomial.
Durante seu governo, Santos também implantou o Centro de Referência em Aids, considerado pioneiro no País, e fortaleceu a rede municipal de policlínicas nos bairros. A administração ainda promoveu mudanças no transporte coletivo, na assistência social, na cultura e nas políticas de participação popular.
Mandatos no Congresso e retorno à Câmara
Depois de deixar a Prefeitura, Telma exerceu mandatos como deputada federal por São Paulo. Na Câmara dos Deputados, participou de debates nas áreas de seguridade social, direitos das mulheres, transportes, meio ambiente e defesa do consumidor.
Ela também voltou à Assembleia Legislativa e à Câmara Municipal de Santos, mantendo atuação em temas ligados à memória da cidade, à justiça social, à proteção ambiental e aos direitos humanos. Em 2024, voltou a disputar a Prefeitura de Santos.
Filha dos ex-vereadores João Inácio de Souza, conhecido como Joãozinho do Instituto, e Hilda Augusto de Souza, Telma pertencia a uma família ligada à vida pública santista. Era mãe de Walter e Wagner e avó de Elis e Thainá.
Legado político e social
Ao longo de mais de quatro décadas de atuação pública, Telma de Souza tornou-se uma das lideranças políticas mais reconhecidas da região. Para seus apoiadores, deixou como principal legado a defesa de uma administração voltada aos bairros, à saúde pública e às populações mais vulneráveis.
Sua morte encerra um capítulo central da política contemporânea de Santos. O trabalho desenvolvido durante sua passagem pela Prefeitura permanece associado à reforma psiquiátrica, ao enfrentamento da epidemia de HIV e à ampliação dos serviços públicos municipais.
Informações sobre as despedidas serão acrescentadas assim que forem oficialmente divulgadas pela família.


