A crise da habitação em Santos voltou ao centro das discussões durante uma audiência pública realizada na Câmara Municipal, que reuniu especialistas, representantes de movimentos sociais e autoridades para debater os impactos da verticalização e os desafios do acesso à moradia. Um dos principais dados apresentados foi o contraste entre o déficit habitacional da cidade, estimado em cerca de 19 mil moradias, e a existência de mais de 21 mil imóveis desocupados, além de aproximadamente 19 mil residências de uso ocasional.
Durante o encontro, participantes defenderam mudanças nas políticas urbanas para ampliar o acesso da população de baixa renda às regiões com infraestrutura consolidada. Também foram levantadas críticas à legislação municipal que impede a criação de Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) na orla, além de questionamentos sobre o modelo de crescimento imobiliário e as contrapartidas oferecidas por empreendimentos de grande porte. Entre os temas debatidos estiveram ainda a fiscalização dos Estudos de Impacto de Vizinhança (EIV) e a necessidade de maior transparência nos processos de aprovação de novos projetos.
Como alternativas para enfrentar o déficit habitacional em Santos, foram apresentadas propostas como a criação de um parque público de imóveis para locação social, aplicação do IPTU progressivo em imóveis abandonados, desapropriação de edificações ociosas na região central e ampliação da assistência técnica para melhorias em moradias precárias. Ao final da audiência, o vereador Marcos Caseiro informou que encaminhará requerimentos ao Executivo para cobrar o avanço das discussões sobre habitação e a revisão das políticas relacionadas às ZEIS.


