Crise explode no Morumbi: Casares cai, renuncia e São Paulo troca de comando em meio a escândalos

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A turbulência política no São Paulo Futebol Clube culminou nesta quarta-feira (21) na renúncia de Julio Casares à presidência do clube. A decisão foi tomada após a derrota acachapante do dirigente no Conselho Deliberativo, que aprovou o impeachment por ampla maioria e abriu caminho para uma assembleia geral que poderia confirmar sua destituição.

Antes que os sócios fossem chamados às urnas, Casares optou por deixar o cargo, encerrando de forma abrupta uma gestão marcada por títulos importantes, mas também por uma escalada de denúncias, desgaste institucional e perda de confiança da torcida. Com a saída, a assembleia foi automaticamente cancelada.

Dos conselheiros presentes na votação da última sexta-feira, 188 se manifestaram a favor do impeachment, contra apenas 45 votos contrários e dois em branco — um recado político claro sobre o isolamento do então presidente dentro do clube.

Vice assume até o fim do mandato

Com a vacância, o vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos, assume o comando do São Paulo até dezembro de 2026. A expectativa interna é de uma gestão de transição, focada em estabilizar o ambiente político e dar respaldo administrativo ao futebol, que sofreu diretamente com a crise nos bastidores.

Carta em tom de defesa e ataque político

Em carta publicada nas redes sociais, Casares negou qualquer irregularidade, classificou o processo como “político” e afirmou ser vítima de narrativas distorcidas, articulações de bastidores e ataques que ultrapassaram o campo institucional. O ex-presidente também alegou que sua família foi atingida por ameaças e que o ambiente se tornou insustentável.

Apesar do tom defensivo, a renúncia ocorre em meio a investigações da Polícia Civil que apuram movimentações financeiras atípicas, incluindo depósitos em dinheiro nas contas pessoais do dirigente e saques milionários nas contas do clube ao longo de sua gestão.

Gestão de títulos, dívidas e colapso de confiança

Eleito pela primeira vez em 2020, Casares comandou o clube em um período de retomada esportiva: encerrou jejuns históricos, conquistou o Paulistão de 2021, a inédita Copa do Brasil de 2023 e a Supercopa contra o Palmeiras. O preço, porém, foi alto.

A política de contratações de impacto, aliada à recusa em vender ativos valorizados, fez a dívida do São Paulo saltar de R$ 635 milhões em 2021 para quase R$ 1 bilhão em 2024. Em 2025, maus resultados em campo e negociações de jovens abaixo do valor de mercado aprofundaram a insatisfação da torcida.

O ponto de ruptura veio com a revelação de um esquema envolvendo o uso clandestino de um camarote do Morumbis, episódio que implodiu de vez a credibilidade da gestão e acelerou o movimento pelo impeachment.

Um clube em reconstrução política

A saída de Casares encerra um dos capítulos mais conturbados da história recente do São Paulo. Agora, sob nova direção, o clube tenta estancar a crise, reorganizar suas finanças e reconstruir a confiança interna e externa — um desafio tão grande quanto qualquer disputa dentro de campo.

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