Suspeito de matar a esposa, tenente-coronel é aposentado com R$ 30.861,87 por mês

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A decisão de mandar para a reserva um tenente-coronel da Polícia Militar preso sob suspeita de matar a própria esposa provocou indignação. Acusado de feminicídio e fraude processual, o oficial teve a aposentadoria publicada pela PM de São Paulo e, mesmo atrás das grades, deverá continuar recebendo remuneração custeada pelo Estado.

O caso envolve a morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada baleada na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central da capital. No início, a versão apresentada foi a de suicídio. Mas o avanço das investigações, amparado em laudos periciais, análise de mensagens e reprodução simulada, derrubou essa narrativa e levou à prisão preventiva do tenente-coronel.

A corporação afirma que a ida para a reserva não impede o andamento do processo de expulsão nem eventual perda de posto e patente. Ainda assim, a medida gerou revolta porque, na prática, o oficial poderá manter o recebimento de valores mensais mesmo sendo réu em um caso de extrema gravidade.

A rapidez na concessão da aposentadoria também chamou atenção. Enquanto muitos policiais enfrentam demora e até disputa judicial para obter benefícios, o pedido do tenente-coronel foi atendido em poucos dias, o que levantou questionamentos sobre tratamento privilegiado dentro da estrutura militar.

Segundo a investigação, o celular da vítima foi desbloqueado e teve mensagens apagadas depois do disparo. As conversas recuperadas indicam que Gisele discutia separação e divórcio com o marido horas antes de morrer. Para os investigadores, houve tentativa de apagar vestígios que contrariavam a versão sustentada pela defesa.

Relatos de colegas de farda também reforçaram a suspeita de um histórico de comportamento agressivo, controlador e ciumento por parte do oficial. Testemunhas disseram que Gisele mudava completamente de postura na presença dele e que episódios de violência e intimidação já eram comentados dentro do ambiente de trabalho.

O Ministério Público sustenta que as provas apontam para feminicídio, e não para suicídio. A acusação também afirma que houve manipulação da cena do crime para tentar confundir a apuração. A defesa nega as acusações e diz que o oficial colaborou com as investigações.

O caso agora segue na Justiça, enquanto cresce a revolta diante da possibilidade de um acusado de feminicídio continuar amparado por dinheiro público mesmo após a prisão.

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