Dois imóveis comerciais do Banco do Brasil no litoral paulista, localizados em Guarujá e São Vicente, entraram em processo de leilão com um atrativo que tende a chamar a atenção do mercado: a instituição financeira permanecerá como locatária dos prédios após a venda. Na prática, trata-se de uma operação em que o banco se desfaz do patrimônio imobiliário, mas mantém a ocupação dos espaços por meio de contrato de locação com prazo de até 60 meses.
No caso de Guarujá, o imóvel tem lance mínimo de R$ 6.233.417,00 e aluguel inicial fixado em R$ 40.517,00 por mês. O edital estabelece que o comprador deverá assumir a regularização documental, incluindo a averbação da construção na matrícula do imóvel, além de executar obras de benfeitoria para reparar infiltrações no telhado. O próprio material informa ainda que a construção não está averbada, o que transfere ao arrematante o custo e a responsabilidade por eventual regularização cartorial e técnica.
Em São Vicente, o imóvel entra no leilão com lance mínimo de R$ 9.523.276,00 e aluguel inicial de R$ 61.901,00 mensais. O contrato também prevê locação obrigatória integral ao Banco do Brasil por até 60 meses, mas o pacote de obrigações para o comprador é mais pesado. O futuro proprietário terá de providenciar regularizações documentais, obter o AVCB, iniciar em até 60 dias obras de impermeabilização do telhado, reparos em fachada, estrutura, instalações hidrossanitárias e substituição de vidros quebrados. Se essas melhorias não forem feitas, o banco poderá executá-las e descontar os valores dos aluguéis futuros.
Os dois editais deixam claro que o comprador não levará apenas o imóvel, mas também uma lista de obrigações técnicas e burocráticas. Em ambos os casos, há registro de que já existem obras em andamento por conta do próprio banco, e o arrematante declara ciência prévia dessa condição. Ou seja, o investidor entra com renda contratada, mas também com passivos operacionais e exigências de adequação que podem consumir parte relevante da atratividade inicial do negócio.
O modelo, comum em processos de sale and leaseback, pode ser interessante para quem busca receita previsível, mas exige leitura cuidadosa das cláusulas. No papel, a locação garantida reduz o risco de vacância imediata. Na prática, os editais mostram que o investimento vem acompanhado de custos de regularização, manutenção e adequação que podem alterar significativamente a conta final do comprador


