Uma operação do Ministério Público de São Paulo colocou no centro da investigação a suspeita de que advogados ligados ao PCC estariam acessando e repassando informações sigilosas do Judiciário para beneficiar integrantes da facção. A ação apura se dados sobre medidas cautelares em andamento vinham sendo vazados antes do cumprimento das ordens judiciais.
Batizada de Operação Backdoor, a ofensiva foi conduzida pelo Gaeco com apoio policial e cumpriu mandados de busca e apreensão, além de prisões temporárias no interior paulista. De acordo com a investigação, os chamados “gravatas” do PCC teriam usado credenciais de um agente público para entrar em sistemas de consulta processual e monitorar movimentações de interesse da facção.
Segundo o Ministério Público, o vazamento comprometeu parte das ações planejadas, porque alguns alvos conseguiram fugir antes da execução das medidas judiciais. Com isso, a operação teria sido parcialmente frustrada e parte dos investigados segue foragida.
As apurações se concentram na suspeita de uma estrutura de apoio jurídico e informacional voltada a blindar integrantes da organização criminosa, antecipando decisões da Justiça e dando tempo para fuga ou reorganização. O caso amplia a preocupação das autoridades com a infiltração do crime organizado em canais institucionais sensíveis.
Paralelamente, a Polícia Civil também avançou sobre lideranças da facção em outra frente da ofensiva, com prisões de nomes apontados como peças da engrenagem logística e financeira do grupo criminoso. A investigação liga esses núcleos à circulação de drogas, armas, dinheiro e informações estratégicas.
A operação reforça a avaliação de que o PCC não atua apenas na ponta armada ou no tráfico, mas também busca acesso a estruturas técnicas, jurídicas e burocráticas que possam garantir proteção, antecipação de movimentos do Estado e sobrevivência operacional da facção.


