A modernização dos terminais portuários avança com guindastes automatizados, sistemas de inteligência artificial e centros de controle cada vez mais integrados. O ritmo das mudanças, porém, expõe uma dificuldade: a escassez de profissionais preparados para operar e analisar essas tecnologias.
Em análise sobre o setor, o consultor portuário Maxwell Rodrigues aponta que a formação tradicional já não acompanha todas as competências exigidas. As novas funções demandam leitura de dados em tempo real, tomada de decisão, conhecimento de automação, segurança cibernética e capacidade de agir durante falhas ou mudanças operacionais.
Nos centros de controle, por exemplo, profissionais precisam relacionar informações de maré e produtividade, ajustar rotas de veículos autônomos e antecipar problemas por meio de sistemas preditivos. Isso muda o perfil de ocupações que antes dependiam principalmente da experiência prática no cais.
Entre os caminhos sugeridos estão o uso de simuladores, gêmeos digitais, jogos de gestão e programas de capacitação em parceria com empresas e instituições de ensino. Centros de treinamento de Roterdã, Antuérpia-Bruges e Tianjin são citados como referências internacionais.
A proposta defendida pelo consultor é a criação de uma estrutura nacional de formação portuária, financiada por autoridades portuárias, operadores privados e fundos de ciência e tecnologia. O objetivo seria reduzir a distância entre os investimentos em equipamentos e a qualificação das equipes responsáveis por utilizá-los.


