A possibilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte aumentou para 81% entre outubro e dezembro, segundo atualização divulgada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a Noaa. A previsão anterior da agência, feita em junho, indicava 63% de chance de um evento muito forte entre novembro deste ano e janeiro de 2027.
O fenômeno climático foi confirmado no mês passado e ocorre quando as águas superficiais do oceano Pacífico equatorial ficam mais quentes do que a média histórica. A Noaa avalia que o El Niño deste ano pode ficar entre os mais intensos desde o início dos registros da agência, em 1950, e deve persistir ao menos até o começo do outono, em abril do próximo ano.
Um El Niño classificado como muito forte não significa, automaticamente, que todos os seus impactos serão mais severos. Ainda assim, esse nível de intensidade aumenta a probabilidade de efeitos típicos do fenômeno, como tempestades, estiagens prolongadas e ondas de calor mais intensas, conforme a região do planeta.
No Brasil, a tendência associada ao El Niño é de redução de chuvas nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e em parte do Sudeste. Já o Sul costuma registrar aumento das precipitações. Com a nova projeção, cresce também o risco de um verão excepcionalmente quente em boa parte do país.
A classificação do fenômeno depende do aquecimento das águas do Pacífico tropical. O El Niño passa a ser considerado muito forte quando a temperatura da superfície do oceano fica 2°C ou mais acima da média histórica. Eventos fortes ficam entre 1,5°C e 2°C, moderados entre 1°C e 1,5°C, e fracos entre 0,5°C e 1°C.
Embora seja um fenômeno natural, o El Niño ocorre agora em um planeta já alterado pela crise climática, o que pode ampliar seus efeitos. O aquecimento global contribui para elevar a frequência e a intensidade de eventos extremos, como ondas de calor, secas e incêndios florestais.
Diante desse cenário, o Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo publicou uma recomendação no Diário Oficial da União dando prazo de 30 dias para que os estados adotem medidas concretas de prevenção a incêndios florestais. A resolução foi assinada pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança Climática, João Paulo Capobianco.
Entre as ações previstas estão a indicação de áreas prioritárias para prevenção e combate ao fogo, a elaboração de planos de manejo e a regulamentação de medidas para preparação de imóveis rurais. A preocupação é reduzir riscos em um período que pode combinar calor intenso, estiagem e maior vulnerabilidade ambiental.
O alerta também tem reflexos sobre setores como agricultura, abastecimento, energia e defesa civil. Com maior chance de seca em regiões estratégicas e excesso de chuva em outras, governos e produtores precisam se preparar para impactos que podem se estender até 2027.


