Mais brasileiros trocam o País pelo Paraguai em busca de impostos menores e segurança

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O número de brasileiros autorizados a morar no Paraguai cresceu em 2025 e reforça um movimento que mistura economia, comportamento, planejamento tributário e busca por qualidade de vida fora do Brasil.

Segundo dados do Departamento de Migrações do Paraguai citados pelo Estadão, cerca de 17 mil brasileiros obtiveram autorização para viver no país vizinho em 2024. Em 2025, o total passou de 23 mil. O Paraguai já abriga a terceira maior comunidade brasileira no exterior, com 263 mil pessoas, de acordo com dados do Itamaraty referentes a 2023.

O movimento tem atraído empresários, investidores, influenciadores digitais e profissionais que trabalham remotamente. A busca é impulsionada principalmente por menor carga tributária, sensação de segurança, estabilidade econômica e possibilidade de manter negócios digitais a partir de outro país.

Um dos atrativos está no modelo tributário paraguaio. Enquanto a carga tributária brasileira equivale a cerca de 33% do PIB, no Paraguai ela fica em torno de 14%. O país adota o sistema conhecido como 10-10-10, com alíquotas de 10% para Imposto sobre Valor Agregado, Imposto de Renda da pessoa física e imposto sobre o lucro das empresas.

A legislação de maquila, voltada à instalação de empresas estrangeiras com benefícios fiscais para importação de insumos e produção destinada à exportação, também aparece como fator de atração. O regime permite que empresas paguem cerca de 1% sobre o valor agregado, em um contexto de crescimento econômico e estabilidade no país vizinho.

Mas a mudança não é simples nem isenta de limitações. O Paraguai oferece menor tributação, mas enfrenta gargalos em infraestrutura, saúde, educação, logística e transporte. No Índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial, o Brasil aparece na 51ª posição, enquanto o Paraguai ocupa a 79ª.

O custo de vida também exige análise cuidadosa. Brasileiros ouvidos pela reportagem relataram redução de despesas em itens como plano de saúde, seguro e veículos, mas aluguéis e alimentação nem sempre apresentam grande diferença. A avaliação é que o país não é barato em tudo, mas pode oferecer maior poder de compra em determinados perfis de renda.

Para quem pretende trabalhar localmente, o cenário é mais desafiador. A proteção trabalhista paraguaia é mais limitada que a prevista na CLT brasileira. Segundo o Instituto Nacional de Estatística do Paraguai, 60% dos trabalhadores ocupados estão na informalidade, o equivalente a 1,66 milhão de pessoas. No Brasil, a taxa é de 37,5%.

O país também não possui benefício equivalente ao FGTS. O salário mínimo nacional é de G$ 3.044.000, cerca de R$ 2.550, e o trabalhador tem direito inicialmente a 12 dias de férias remuneradas após um ano de serviço. O período chega a 30 dias apenas depois de dez anos na empresa.

A tendência mostra que o Paraguai passou a ser visto por parte dos brasileiros não apenas como destino de compras ou fronteira comercial, mas como alternativa de residência, negócios e reorganização financeira. Ainda assim, especialistas apontam que a decisão exige planejamento jurídico, tributário e migratório para evitar golpes, informalidade e expectativas irreais sobre custo de vida e estrutura pública.

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