O El Niño em curso deve ganhar força até o fim de 2026 e tem 81% de chance de atingir a categoria muito forte entre outubro e dezembro, segundo a atualização de julho do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos. A probabilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte é de 97%.
As águas do Pacífico equatorial central e oriental já apresentam aquecimento amplo, acompanhado por mudanças na circulação atmosférica. A Organização Meteorológica Mundial prevê que a anomalia média da temperatura da superfície do mar ultrapasse 2,9°C em regiões de monitoramento durante o trimestre de agosto a outubro.
Uma compilação independente da Berkeley Earth, baseada em centenas de simulações de 14 modelos, aponta cerca de 90% de chance de o pico superar os registros anteriores no índice tradicional Niño 3.4. A mediana dos modelos chega a 3,6°C. Quando o aquecimento geral dos trópicos é descontado, a probabilidade de recorde diminui, mas permanece elevada, em torno de 77%.
O fenômeno ocorre quando os ventos alísios enfraquecem e permitem que águas quentes avancem para o centro e o leste do Pacífico. Esse deslocamento reorganiza chuvas e temperaturas em diferentes continentes, elevando a probabilidade de secas em algumas áreas e de precipitação intensa e enchentes em outras.
No Brasil, projeções de julho do CPTEC e do Inpe indicam maior chance de chuva acima da média em grande parte da Região Sul e abaixo da média em áreas do centro-norte do País, com destaque para boa parte do Nordeste e pontos das regiões Norte e Centro-Oeste. As previsões são probabilísticas e podem variar ao longo da estação.
A intensidade do El Niño não garante que todos os efeitos típicos ocorrerão em todos os lugares. A própria NOAA ressalta que até eventos extremos produzem respostas regionais diferentes. Ainda assim, quanto mais forte o aquecimento do Pacífico, maior tende a ser a alteração das probabilidades de calor, estiagem, chuva intensa e impactos sobre agricultura, recursos hídricos e ecossistemas.
A convergência dos modelos oferece uma janela para planejamento, mas não elimina a incerteza. Boletins mensais continuarão ajustando a projeção do pico e dos efeitos regionais, informações essenciais para ações antecipadas de defesa civil, gestão da água e produção de alimentos.


