As maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos devem investir cerca de US$ 900 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial ao longo de 2026. O valor, que inclui chips, centros de dados e geração de energia, é o dobro dos aproximadamente US$ 450 bilhões desembolsados no ano passado.
Uma análise publicada pela revista The Economist projeta que o investimento poderá chegar a US$ 1,4 trilhão em 2027. Somente neste ano, as companhias teriam recorrido a mais de US$ 400 bilhões em empréstimos para financiar a expansão, transformando a corrida pela IA em uma das maiores ondas de investimento da história.
O ritmo das receitas, no entanto, ainda está distante do volume necessário para justificar todos os gastos. A estimativa é de que o setor precisaria gerar algo próximo de US$ 2,5 trilhões por ano em receitas identificáveis com IA para remunerar a infraestrutura planejada. Hoje, diferentes metodologias situam esse faturamento anualizado entre cerca de US$ 150 bilhões e US$ 220 bilhões.
A adoção empresarial avançou rapidamente, mas começou a perder velocidade. Dados do Censo dos Estados Unidos mostram que entre 17% e 20% das empresas utilizaram algum recurso de IA entre dezembro de 2025 e maio de 2026. A proporção é maior entre companhias de grande porte, mas permaneceu praticamente estável no período.
Mesmo entre as empresas usuárias, a tecnologia ainda ocupa uma parcela pequena da rotina. Pesquisas citadas na análise apontam que muitas companhias utilizam IA por poucas horas semanais, recorrem a versões gratuitas ou gastam valores reduzidos por funcionário. Apenas uma minoria afirma empregar os sistemas de forma intensiva.
A incerteza aumenta porque a maior parte dos executivos ainda não identifica ganhos mensuráveis de produtividade. Para que a IA produza retorno em larga escala, as empresas terão de ir além da contratação de um chatbot e reorganizar processos, equipes e bases de dados, uma transformação que exige novos investimentos.
Isso não significa que a expansão esteja condenada. As receitas crescem rapidamente e podem acelerar caso aplicações corporativas passem a reduzir custos ou gerar novos negócios. O ponto ainda sem resposta é se esse avanço ocorrerá no prazo necessário para remunerar a infraestrutura que já está sendo construída.


