A Embraer encerrou o segundo trimestre de 2026 com uma carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões, o maior valor já registrado pela fabricante brasileira. O volume avançou 7% em relação aos três primeiros meses do ano e 16% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela companhia.
Foi o sétimo recorde trimestral consecutivo da empresa. A fabricante também entregou 65 aeronaves entre abril e junho, alta de 7% em um ano. No primeiro semestre, foram 109 unidades, cerca de 20% a mais do que as 91 entregues na primeira metade de 2025.
O crescimento é sustentado por encomendas de aviões comerciais, executivos e militares. No mercado de aviação regional, a família E2 tem se beneficiado da longa espera por aeronaves maiores da Airbus e da Boeing. Enquanto alguns modelos das concorrentes podem levar de oito a dez anos para serem entregues, a Embraer consegue disponibilizar o E2 em menos de dois anos.
A mudança no padrão das viagens também favorece a fabricante. Companhias aéreas têm ampliado rotas diretas entre aeroportos menores, o que eleva a procura por jatos regionais. A própria Embraer estima demanda por 8,5 mil novas aeronaves desse segmento até 2045, em um mercado avaliado em US$ 650 bilhões.
Outras áreas ajudam a diversificar as receitas. O Phenom 300 permanece como um dos principais modelos de jato executivo da empresa, enquanto o cargueiro militar KC-390 recebe novas encomendas em meio à elevação dos gastos globais com defesa. A participação de controle na Eve, voltada a aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, mantém a companhia no mercado de mobilidade aérea avançada.
O desempenho reacendeu especulações sobre a possibilidade de a Embraer desenvolver um avião comercial maior para disputar espaço diretamente com Airbus e Boeing. Uma iniciativa desse porte poderia exigir cerca de US$ 10 bilhões e dependeria de parceiros, fornecedores e investidores para dividir custos e riscos.
Até agora, porém, a fabricante não anunciou um projeto definitivo para entrar nesse segmento. A decisão envolve uma aposta de longo prazo e ocorre enquanto a empresa ainda tem capacidade comprometida por anos com a atual carteira de pedidos.


