Fungos encontrados no intestino da lagarta Helicoverpa armigera, praga que ataca lavouras de soja, algodão e milho, demonstraram capacidade de alterar a superfície do poliestireno, material usado na fabricação do isopor. O resultado abre uma frente de pesquisa para o aproveitamento biotecnológico desses microrganismos.
Cientistas da Universidade Federal de São Carlos e da Unesp de Rio Claro isolaram quatro fungos associados ao trato digestivo do inseto. Eles pertencem aos gêneros Aspergillus, Talaromyces e Penicillium, este último representado por duas linhagens.
Em laboratório, os microrganismos permaneceram por 60 dias em contato com uma película fina de poliestireno. Análises por microscopia mostraram crescimento sobre o material, interações com sua superfície e sinais de alteração física.
As linhagens de Aspergillus e Talaromyces apresentaram o desempenho mais expressivo entre as avaliadas. Os pesquisadores também observaram que a alimentação da lagarta influencia a diversidade dos fungos intestinais, comparando dietas convencionais, mistas e compostas apenas por isopor.
A investigação partiu da capacidade de algumas larvas de consumir materiais plásticos. Em vez de atribuir o fenômeno somente ao inseto, a equipe procurou identificar os microrganismos e os processos bioquímicos que podem participar da transformação do polímero.
Ainda não está demonstrado se ocorre degradação completa do poliestireno ou apenas sua fragmentação em partículas menores, como microplásticos e nanoplásticos. Essa diferença é decisiva para avaliar o benefício ambiental e impedir que uma solução aparente crie outro tipo de resíduo.
Os próximos passos incluem localizar genes e enzimas envolvidos no processo e medir os produtos gerados. A descoberta tem potencial, mas ainda depende de estudos adicionais antes de ser considerada uma tecnologia aplicável ao tratamento de resíduos.


