Orientações claras sobre movimentos seguros e o fortalecimento da confiança do paciente podem favorecer a recuperação após uma fratura próxima ao ombro. A conclusão vem de um estudo com 105 pessoas que tiveram lesão na região proximal do úmero e responderam questionários sobre dor, limitação e comportamento durante a reabilitação.
Proteger o braço nas primeiras fases é uma reação esperada e necessária. O problema surge quando o medo de se movimentar continua mesmo depois da consolidação do osso e leva o paciente a evitar tarefas consideradas seguras, como escovar os dentes, comer ou realizar atividades leves.
Segundo os pesquisadores, essa restrição prolongada pode manter a dor e aumentar a incapacidade funcional. Por isso, identificar cedo a chamada evitação de movimento ajuda a equipe de saúde a compreender por que algumas pessoas permanecem limitadas apesar da melhora observada nos exames.
O trabalho utilizou a escala ADAP Shoulder, desenvolvida para medir comportamentos de proteção e fuga ligados ao ombro. A ferramenta pode apoiar a avaliação clínica ao mostrar se o receio de usar o braço se tornou maior do que o risco físico real daquela etapa da recuperação.
A comunicação do profissional tem papel central nesse processo. Explicar quais movimentos são permitidos, estabelecer metas graduais e acompanhar a resposta do paciente pode ampliar a participação na fisioterapia e reduzir a insegurança sem ignorar os limites de cada lesão.
Os resultados não significam que toda dor seja causada pelo medo nem que o paciente deva forçar movimentos por conta própria. A reabilitação precisa considerar a consolidação da fratura, a intensidade dos sintomas, outras condições de saúde e a orientação individual da equipe responsável.
A pesquisa foi conduzida na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, com participação do Grupo do Ombro e coordenação de Anamaria Siriani de Oliveira. Os autores defendem que fatores físicos e comportamentais sejam avaliados em conjunto ao longo do tratamento.


