O custo médio da Dívida Pública Federal chegou a 12,68% ao ano em junho, o maior patamar desde setembro de 2016. O dado foi divulgado pelo Tesouro Nacional e representa o quarto mês consecutivo de alta.
Em maio, o custo médio estava em 12,31%. O indicador considera os títulos emitidos pelo Tesouro para financiar as necessidades de caixa do governo e refinanciar os débitos que vencem.
A elevação ocorre em um cenário de juros elevados e aumenta a despesa necessária para manter a dívida. Quanto maior o custo dos títulos, mais recursos do orçamento precisam ser direcionados ao serviço financeiro.
O avanço dificulta o controle das contas públicas, apontado como um dos principais desafios da economia brasileira. O país já apresenta um nível de endividamento elevado em comparação com outras economias emergentes.
A trajetória também amplia a preocupação de investidores com a política fiscal. O governo tem defendido a possibilidade de um ajuste nas despesas a partir de 2027, mas a evolução do indicador mostra que o custo do financiamento continua pressionando o orçamento.
Debates sobre o arcabouço fiscal envolvem justamente o limite para o crescimento real dos gastos. Uma eventual redução desse ritmo poderia ajudar a conter a expansão das despesas, desde que acompanhada de medidas capazes de preservar a credibilidade das contas públicas.
Sem uma mudança consistente na trajetória fiscal, juros altos e custo crescente da dívida tendem a limitar o espaço para investimentos e políticas públicas. O resultado de junho recoloca o tema no centro da agenda econômica.


