Decisões do governo de Donald Trump contribuíram para o aumento da impunidade nos Estados Unidos e tiveram reflexos negativos em outros países, segundo o Atlas da Impunidade, relatório anual da consultoria Eurasia.
O levantamento avaliou 172 países em 2025, considerando violações de direitos humanos, conflitos e violência, exploração econômica, degradação ambiental e qualidade da governança. A Síria ficou na primeira posição, com o pior resultado.
Os Estados Unidos apareceram em 117º lugar, seis posições abaixo da edição anterior. O Brasil ocupou a 75ª posição, com pontuação de 39,57.
A Eurasia relaciona a piora americana à redução de programas de transparência e prestação de contas, além de políticas migratórias e ações de perseguição a adversários políticos. O relatório também cita a concentração de poder na Presidência.
Segundo os analistas, a retração de iniciativas da Usaid prejudicou mecanismos de controle em países como Geórgia, Ucrânia, Armênia, Haiti e Tunísia. A consultoria afirma que será difícil substituir rapidamente a rede de organizações que atuava nessas frentes.
O documento também aponta a influência crescente de bilionários de tecnologia sobre decisões públicas e alerta para o uso de plataformas digitais e criptomoedas em fraudes, ocultação de recursos e violação de sanções.
Na avaliação da Eurasia, o avanço de governos iliberais é alimentado pela desconfiança nas democracias liberais. O ranking, portanto, trata a impunidade como um problema institucional que ultrapassa as fronteiras dos países analisados.


