A disputa pela inteligência artificial deixou de ser apenas tecnológica e passou a envolver segurança, energia e soberania. Estados Unidos e China concentram os modelos mais avançados, colocando outros países diante do risco de depender de decisões tomadas fora de suas fronteiras.
A avaliação é de que tentar reproduzir, com recursos públicos limitados, a capacidade de empresas como OpenAI e Anthropic seria pouco viável. As duas companhias já levantaram mais de US$ 100 bilhões cada, segundo o texto publicado pelo Estadão sob licença da revista The Economist.
Uma alternativa considerada possível é a construção de data centers nacionais. Essas estruturas permitiriam executar modelos em dados sensíveis e reduziriam o risco de interrupção repentina do acesso a serviços de computação estrangeiros.
Os centros locais, porém, exigem energia abundante, conexão rápida à rede elétrica e aprovação regulatória eficiente. Atrasos na ligação de um data center podem comprometer a viabilidade econômica do projeto e elevar o custo da infraestrutura.
Países também podem explorar especializações próprias. Taiwan domina a fabricação de chips, a Holanda concentra tecnologias essenciais para a produção de semicondutores e a Coreia do Sul tem forte presença no mercado de memória.
Mesmo essas nações não conseguem construir uma capacidade totalmente autônoma. A estratégia mais realista seria combinar competências locais, acordos internacionais e fontes alternativas de processamento, inclusive modelos de código aberto.
A dependência tecnológica, portanto, tende a se transformar em instrumento de negociação geopolítica. Para reduzir a vulnerabilidade, governos precisam tratar infraestrutura digital, energia e regulação da IA como parte de uma mesma política estratégica.


