Ondas de calor, seca prolongada e grandes incêndios florestais transformaram o verão europeu de 2026 em uma sequência de emergências. França e Espanha registraram evacuações em massa, enquanto fumaça e cinzas atingiram áreas urbanas e comprometeram atividades econômicas, transporte e turismo.
Mais de 300 mil pessoas foram deslocadas nos dois países, de acordo com o balanço apresentado na reportagem. Vilarejos foram destruídos e centenas de milhares de hectares queimaram. O calor também provocou cancelamento de eventos, interrupções ferroviárias e restrições em pontos turísticos.
A Europa aquece quase duas vezes mais rapidamente do que a média global desde meados da década de 1990. O continente está cerca de 1,6 °C mais quente do que há três décadas, combinação associada à mudança dos padrões climáticos e à proximidade com o Ártico, onde a perda de gelo aumenta a absorção de calor.
Em Bordeaux, a estação meteorológica nunca havia registrado temperatura igual ou superior a 39 °C entre 1921 e 2000. Somente neste verão, a marca foi alcançada sete vezes antes mesmo da metade da temporada. A seca também reduziu os níveis dos rios Danúbio e Reno e prejudicou a navegação.
Especialistas alertam que ondas de calor mais frequentes ressecam solo e vegetação, facilitando incêndios de grande escala. Governos europeus discutem adaptação urbana, manejo de florestas e metas de redução de emissões em meio à pressão econômica para flexibilizar compromissos climáticos.


