A indústria chinesa de robôs humanoides entrou numa fase de expansão acelerada, com redução de preços, apoio público e uma disputa por aplicações industriais. No centro desse movimento está a Unitree, empresa de Hangzhou que conquistou uma fatia relevante de um mercado ainda jovem.
A companhia apresentou à revista Time o GD01, descrito como um robô mecânico transformável de produção em série. O equipamento tem cerca de 2,7 metros de altura, pesa aproximadamente meia tonelada, pode caminhar sobre duas ou quatro pernas e levar uma pessoa em uma cabine instalada no tronco.
O modelo de grande porte funciona como vitrine tecnológica, mas os equipamentos menores concentram o potencial comercial. A Unitree reduziu o preço antes de impostos do humanoide G1 de US$ 16 mil para US$ 13,5 mil em 18 meses, enquanto o R1 passou a custar menos de US$ 5 mil. Os robôs quadrúpedes da empresa também ficaram muito mais baratos nos últimos anos.
A estratégia combina componentes próprios, escala de produção e lançamentos frequentes. A empresa pediu abertura de capital em março, numa operação que poderia avaliá-la em US$ 6 bilhões, e informou crescimento superior a 68% na receita do primeiro trimestre na comparação anual.
Apesar do avanço, a maior parte das vendas ainda vai para universidades, centros de pesquisa e empresas que desenvolvem software e sistemas de movimento. Apenas uma parcela reduzida chega diretamente às fábricas, porque os humanoides continuam menos eficientes que trabalhadores em tarefas variáveis e têm dificuldade para aprender atividades fora de ambientes controlados.
Segurança física e proteção digital também preocupam. Pesquisadores já identificaram vulnerabilidades em equipamentos conectados, e movimentos imprevistos podem causar acidentes quando máquinas pesadas dividem espaço com pessoas. O próprio fundador da Unitree, Wang Xingxing, reconhece que a adoção em grande escala não ocorrerá de imediato.
A liderança chinesa, porém, coloca o país em posição estratégica numa tecnologia que pode alterar logística, manufatura, serviços e o mercado de trabalho. O resultado da corrida dependerá menos de demonstrações impressionantes e mais da capacidade de tornar os robôs confiáveis, úteis e seguros no cotidiano.


