A estratégia dos Estados Unidos para reduzir a dependência externa de minerais críticos está acelerando grandes projetos de mineração e reacendendo conflitos com comunidades indígenas. Lítio, zinco, manganês e antimônio ganharam importância para baterias, centros de dados de inteligência artificial, energia e equipamentos de defesa.
A revista Time mostra que boa parte da cadeia mundial desses minerais passa hoje pela China, situação considerada vulnerável por autoridades norte-americanas. Em resposta, projetos receberam licenciamento mais rápido, financiamento federal e participação direta do governo em algumas empresas.
O principal exemplo é Thacker Pass, em Nevada, apontado como o maior empreendimento de lítio desenvolvido no país em décadas. A área de 18 mil acres começou a ser preparada em 2023 e recebeu apoio de diferentes governos. O Departamento de Energia adquiriu participação de 5% tanto no projeto quanto na companhia responsável por ele.
Integrantes dos povos Paiute e Shoshone afirmam que a exploração ameaça locais sagrados e a qualidade ambiental. O conflito se repete em outras regiões. Pesquisas citadas pela reportagem indicam que mais da metade dos minerais necessários à transição energética está em terras indígenas ou nas proximidades de comunidades profundamente ligadas ao território.
Na Califórnia, o projeto Hell’s Kitchen pretende combinar geração geotérmica e extração de lítio junto ao Salton Sea, com investimento estimado em US$ 1,8 bilhão. Moradores questionam o consumo de água, a qualidade do ar e os termos oferecidos à comunidade de uma região já sobrecarregada por problemas ambientais.
No Arizona, a mina subterrânea Hermosa prevê produzir zinco e manganês com menor impacto visual do que uma cava aberta. Ainda assim, residentes temem contaminação de águas subterrâneas e danos a uma área de alta biodiversidade. Em Idaho, o projeto Stibnite enfrenta ações judiciais e oposição da tribo Nez Perce por possíveis efeitos sobre rios e populações de salmão.
O desafio vai além de conceder licenças. Para que a nova corrida mineral não repita danos históricos, empresas e governos terão de garantir consulta efetiva, proteção da água, reparação ambiental e benefícios econômicos concretos para as comunidades que vivem ao redor das jazidas.


