Organizações criminosas passaram a fabricar no Brasil imitações de marcas paraguaias de cigarros, em uma mudança que reduz os riscos e os custos do contrabando pela fronteira. Ao menos 21 fábricas clandestinas foram fechadas no país nos últimos dois anos.
Desde 2022, autoridades registraram 41 ocorrências relacionadas a esse tipo de estrutura. Em um período de 15 anos, 81 unidades ilegais foram identificadas, 28 delas em cidades paulistas.
As fábricas reproduzem embalagens conhecidas no mercado clandestino e abastecem redes de distribuição já estruturadas. Com a produção em território nacional, os grupos evitam parte do transporte internacional e ampliam a margem de lucro.
Uma operação em Ourinhos, no interior de São Paulo, encontrou 14 trabalhadores paraguaios em condições análogas à escravidão. A estrutura tinha capacidade estimada para produzir 60 mil maços por dia.
O comércio ilegal responde por aproximadamente 32% do consumo de cigarros no Brasil. A perda anual de arrecadação tributária é estimada em mais de R$ 7 bilhões, além dos impactos sobre a saúde pública e o financiamento de outras atividades criminosas.
As investigações buscam identificar fornecedores de máquinas, insumos, embalagens e rotas de distribuição. O avanço das fábricas clandestinas mostra que o combate ao problema deixou de depender apenas da fiscalização das fronteiras e passou a exigir ações dentro dos centros produtores e consumidores.


