O endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior nível da série histórica e pode limitar o consumo nos próximos meses. Em maio de 2026, as dívidas correspondiam a 49,83% da renda acumulada em 12 meses, segundo dados do Banco Central.
A parcela mensal da renda comprometida com pagamentos também chegou ao recorde de 28,5%. O avanço preocupa porque uma fatia maior do orçamento passa a ser destinada a juros e prestações, reduzindo o espaço para compras de bens e serviços.
O quadro é agravado pela expansão de modalidades de crédito sem garantia, normalmente mais caras. Essas linhas representam cerca de um quarto da carteira de pessoas físicas, ante aproximadamente 20% antes da pandemia.
Projeções do mercado indicam que o consumo das famílias pode perder força em 2027. Uma estimativa do BTG Pactual aponta desaceleração do crescimento de 2% em 2026 para 0,8% no ano seguinte. Em um cenário de renda estagnada, o consumo poderia recuar 0,4%.
O valor médio das dívidas negativadas registradas pela Serasa é de cerca de R$ 6,3 mil, quase o dobro da renda média do trabalhador. Para economistas, o peso dos débitos tende a afetar mais intensamente famílias com menor renda e pouca reserva financeira.
O Ministério da Fazenda afirma que a queda gradual dos juros e programas de renegociação, como o Desenrola, podem substituir dívidas caras por contratos menos onerosos. A evolução do emprego, da renda e do custo do crédito será decisiva para saber se o endividamento resultará em uma desaceleração mais forte da atividade econômica.


