A Islândia realizará em 29 de agosto um referendo para decidir se retoma as negociações de entrada na União Europeia. O debate ganhou força diante das ameaças de Donald Trump à Groenlândia e das tensões comerciais entre Estados Unidos e Europa.
A votação não decidirá a adesão imediata ao bloco. Caso a maioria aprove a retomada das conversas, um novo referendo deverá ocorrer depois da conclusão das negociações.
Com cerca de 400 mil habitantes, a Islândia iniciou o processo de adesão há quase duas décadas, mas encerrou as tratativas em 2013 após a eleição de um governo contrário à integração. Pesquisas realizadas em junho e julho de 2026 indicaram apoio entre 52% e 53% para reabrir o diálogo.
O país não possui Forças Armadas próprias e depende de destacamentos rotativos da Otan e de acordos de defesa com os Estados Unidos. A crescente atividade de submarinos russos no Atlântico Norte aumentou a preocupação com a segurança regional.
As declarações de Trump sobre a anexação da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca localizado a cerca de 300 quilômetros da Islândia, reforçaram a percepção de vulnerabilidade. A União Europeia passou a ser vista também como uma fonte de apoio coletivo diante de pressões territoriais e comerciais.
Os opositores da aproximação citam riscos para a autonomia da pesca e da agricultura, setores centrais para a economia islandesa. Já os defensores argumentam que o país poderia negociar salvaguardas e ampliar sua capacidade de proteção política.
Líderes europeus evitam interferir diretamente no referendo. A decisão final caberá aos islandeses, mas o resultado poderá redefinir o equilíbrio entre a histórica dependência de Washington e uma integração mais profunda com a Europa.


