A intenção de compra de imóveis no Brasil alcançou 52%, o maior nível da série histórica da consultoria Brain. O resultado ficou nove pontos percentuais acima da média registrada desde 2019, apesar do crédito imobiliário continuar caro.
A taxa Selic permanece acima de 13% desde o início de 2025, aumentando o custo dos financiamentos. Mesmo assim, a procura segue elevada, principalmente por imóveis destinados à moradia.
O principal obstáculo está na oferta para a classe média. Construtoras enfrentam dificuldade para viabilizar empreendimentos entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão devido ao preço dos terrenos, ao custo do crédito e à pressão sobre as margens.
Enquanto famílias de menor renda contam com o Minha Casa, Minha Vida e compradores de alta renda são atendidos pelo mercado de luxo, o segmento intermediário encontra menos opções compatíveis com o orçamento.
Dos 160 mil financiamentos concedidos a pessoas físicas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo no primeiro semestre, 70% foram destinados a imóveis usados. Em São Paulo, as vendas de unidades de segunda mão cresceram 31% até maio.
Especialistas afirmam que muitos lançamentos recentes priorizam estúdios e apartamentos compactos, inadequados para parte das famílias. Imóveis usados acabam oferecendo maior área pelo mesmo preço.
Os apartamentos responderam por 41% das compras no país, seguidos pelas casas de rua, com 26%. A moradia própria foi a finalidade informada em 74% das aquisições, enquanto 26% tiveram objetivo de investimento.


