A inteligência artificial está mudando a maneira como turistas planejam viagens e escolhem atrações. A tecnologia pode criar roteiros personalizados e direcionar visitantes a lugares menos conhecidos, mas ainda tende a repetir recomendações de pontos turísticos muito populares.
Pesquisa da Universidade de Westminster identificou preferência do ChatGPT por centros turísticos consolidados. Outro levantamento reuniu 10 mil recomendações para Barcelona e constatou que o sistema indicou 215 locais, enquanto fotografias publicadas por visitantes no Instagram abrangiam cerca de 1.300 pontos diferentes.
A concentração pode aumentar filas e sobrecarregar destinos já pressionados pelo turismo de massa. O mesmo estudo encontrou ainda 38 atrações aparentemente inexistentes entre as sugestões produzidas pela IA, mostrando que o usuário precisa verificar as informações antes de organizar a viagem.
Por outro lado, diferentes modelos não entregam necessariamente as mesmas respostas. As recomendações variam conforme as fontes utilizadas, o contexto da conversa e a formulação do pedido. Até perguntas idênticas podem resultar em listas diferentes.
O principal potencial está na personalização. Um viajante pode solicitar restaurantes adequados a restrições alimentares, passeios ligados à literatura, bairros tranquilos ou atividades pouco convencionais. Quanto mais específico o pedido, maior a chance de a ferramenta escapar dos roteiros genéricos.
Os sistemas também começam a adaptar respostas com base nas preferências demonstradas em conversas anteriores. Esse comportamento pode distribuir visitantes por uma variedade maior de estabelecimentos e atrações, em vez de concentrar todos nos mesmos resultados de busca.
O efeito final dependerá da qualidade das fontes, da diversidade das recomendações e do uso responsável. A IA pode tanto reforçar o turismo de massa quanto ajudar a dispersá-lo, especialmente quando o viajante procura experiências alinhadas a interesses bem definidos.
Imagem gerada por IA.


