A expansão acelerada da inteligência artificial provocou uma reação organizada em diferentes países. Os protestos reúnem preocupações com perda de empregos, desinformação, consumo de recursos naturais e o poder das empresas que controlam modelos e grandes centros de dados.
O levantamento Ipsos AI Monitor 2026, realizado com 23.532 pessoas em 32 países, mostra a ambivalência do público: 66% já utilizaram ferramentas de IA, mas metade afirma sentir receio. Entre os trabalhadores, 35% temem perder o emprego para a tecnologia nos próximos cinco anos.
A desinformação também aparece no centro do debate. Quase metade dos entrevistados acredita que a IA vai piorar o problema na internet, enquanto apenas 15% esperam melhora. Além disso, 80% defendem que empresas sejam obrigadas por lei a avisar quando utilizam inteligência artificial em seus serviços.
Os data centers viraram alvo frequente de manifestações por causa do consumo de água e energia. Nos Estados Unidos, ativistas criticaram o uso de 43 milhões de litros de água por servidores da Microsoft durante o treinamento de um modelo em período de seca. No Chile, uma decisão judicial obrigou um projeto do Google a buscar outra forma de refrigeração.
A resistência também alcança profissões criativas. No Brasil, a campanha Dublagem Viva se opõe à substituição de vozes humanas por versões sintéticas. Especialistas defendem regras de transparência, proteção trabalhista e controle ambiental, mas alertam que tentativas de bloquear integralmente a tecnologia tendem a ser ineficazes.
Imagem gerada por IA.


