DNA revela sociedade da Idade do Ferro organizada em torno das mulheres

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Uma análise genética de mais de 500 pessoas enterradas no nordeste da Inglaterra indica que parte da sociedade britânica da Idade do Ferro era organizada em torno da linhagem materna. Os sepultamentos ocorreram nos séculos anteriores à invasão romana, iniciada no ano 43.

No cemitério de Wetwang Slack, ligado à cultura Arras, os pesquisadores identificaram descendência feminina contínua por até nove gerações. As mulheres permaneciam no grupo em que nasceram, enquanto muitos homens vinham de outras comunidades, padrão conhecido como matrilocalidade.

Os vínculos entre mães, filhas e irmãs formavam o eixo duradouro da comunidade. Em contraste, os pais estavam frequentemente ausentes dos locais de sepultamento de seus descendentes. A equipe também encontrou sinais de que os integrantes conheciam detalhadamente sua ancestralidade e evitavam relações entre parentes da mesma linha materna.

Ao menos 12 mulheres tiveram filhos com mais de um homem. O dado pode refletir uniões sucessivas ou outras formas de relacionamento, mas o DNA, sozinho, não permite determinar como esses arranjos funcionavam socialmente.

Os autores alertam que o padrão não deve ser automaticamente estendido a toda a Grã-Bretanha da época. Ainda assim, a pesquisa reforça que as mulheres podiam ocupar uma posição central na organização social e na continuidade dos grupos, contrariando a ideia de que todas as comunidades antigas eram estruturadas prioritariamente pela descendência masculina.

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