Um tratamento experimental com vírus modificados por engenharia genética ajudou a combater uma infecção grave por uma bactéria resistente a antibióticos. A terapia foi aplicada a um paciente de 65 anos que havia recebido um transplante de rim e enfrentava uma infecção persistente por Escherichia coli.
Os vírus usados são bacteriófagos, organismos capazes de infectar e destruir bactérias. A empresa dinamarquesa SNIPR Biome adicionou a eles o sistema de edição genética CRISPR, programado para atingir sequências específicas da E. coli.
O paciente tinha feridas abertas no abdômen e uma massa de aproximadamente 740 mililitros na bexiga. Uma semana após o início da terapia, as feridas começaram a cicatrizar e o volume da massa caiu pela metade.
O resultado, porém, não permite atribuir a melhora apenas aos fagos. Onze dias antes da terapia experimental, o paciente também havia começado a receber antibióticos mais fortes e outros medicamentos. Por se tratar de um único caso, serão necessários estudos controlados para medir a segurança e a eficácia do método.
O coquetel experimental, chamado SNIPR001, foi projetado para eliminar cerca de 90% das cepas de E. coli e pode ser administrado por via oral, intravenosa ou diretamente nas feridas. Um ensaio de fase 2 nos Estados Unidos investiga se a redução da bactéria no intestino pode diminuir infecções sanguíneas em pacientes com câncer.


