Interações amistosas entre primatas e animais de outras espécies podem oferecer pistas sobre como surgiu, na evolução humana, o impulso de criar animais de estimação. Uma revisão reuniu 427 relatos e encontrou comportamentos como brincadeiras, carícias, transporte e limpeza do corpo do outro.
Os casos envolveram 88 espécies de primatas e 127 espécies não primatas. A maior parte das observações ocorreu na natureza, o que reduz a possibilidade de que o comportamento seja apenas consequência do cativeiro.
Brincar e cuidar da pelagem foram as interações mais frequentes. Entre os exemplos estão um macaco acariciando um esquilo, outros limpando um cão e um macaco japonês montado em um cervo. Fêmeas e jovens apareceram com mais frequência nessas relações do que machos adultos.
Na maioria dos episódios, o contato durou pouco e não pode ser classificado como criação de um animal de estimação. Um caso se destacou: um sagui foi acolhido por um grupo de macacos-prego selvagens durante pelo menos dez meses, recebeu cuidados de duas fêmeas e foi tolerado pelos demais integrantes.
Os pesquisadores consideram o levantamento preliminar, porque muitos relatos são anedóticos e faltam observações sistemáticas. Mesmo assim, os dados sugerem que curiosidade, conforto e vínculos com outras espécies já existem em nossos parentes primatas. A prática humana de manter animais em casa pode ser uma versão mais duradoura e elaborada de uma tendência evolutiva antiga.


