Oscilações dos hormônios reprodutivos podem intensificar sintomas de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade em parte das mulheres. Pesquisas recentes associam pioras à puberdade, ao ciclo menstrual, ao período após o parto e à perimenopausa.
Em um estudo com 200 mulheres com TDAH, quase metade também preenchia os critérios para transtorno disfórico pré-menstrual. Entre as participantes que haviam dado à luz, quase 60% relataram depressão pós-parto, proporção superior à observada na população geral.
Outros trabalhos identificaram aumento de desatenção, hiperatividade e impulsividade depois da ovulação e perto do fim do ciclo. Quedas rápidas de estrogênio são uma das hipóteses para o fenômeno, pois o hormônio atua em circuitos cerebrais ligados à dopamina, à motivação e ao controle dos impulsos.
A relação não é igual para todas. Há mulheres que pioram quando o estrogênio cai, outras relatam mudanças durante a elevação do hormônio e parte delas não apresenta sensibilidade significativa. Por isso, anticoncepcionais ou reposição hormonal podem ajudar algumas pacientes e agravar sintomas em outras.
Um pequeno estudo ajustou, com acompanhamento médico, a dose de estimulantes de nove mulheres durante o período pré-menstrual. Todas relataram melhora, mas a amostra é insuficiente para orientar uma mudança geral no tratamento. Os pesquisadores alertam que ninguém deve alterar a própria medicação sem supervisão, devido a possíveis efeitos sobre pressão arterial, frequência cardíaca e sono.


